Carta à Michelle Obama

Cara Michelle Obama, 

Se apenas você pudesse saber o sentimento que as palavras do seu livro me deixaram. No começo confesso que achei um pouco tedioso saber em tantos detalhes sobre a sua infância... porém conforme os anos foram passando no livro e você foi compartilhando suas inseguranças, sonhos e maneira de encarar a vida era como se eu estivesse lendo um livro sobre mim.

O seu jeito de olhar pessoas bem sucedidas, vestindo ternos e entrando em grandes corporações para um dia de trabalho também me motivou e inspirou. A sua vontade de se formar com a maior agilidade possível para já entrar no mercado de trabalho também é como a minha foi. O seu julgamento de pessoas que escolhiam caminhos diferentes, parecendo abrir mão de oportunidades incríveis para "perder tempo" é como eu olho e julgo as pessoas também...

Oh Michelle. Se apenas você pudesse me ver agora. Com 21 anos, vivendo a vida que sempre sonhei: formada, com um emprego em uma cidade grande, trabalhando em uma grande organização que está me abrindo portas para uma carreira de sucesso. Ganhando um salário que sustenta a minha vontade de morar sozinha e ainda me possibilita alguns luxos comigo mesma. Saindo com um homem lindo, bem sucedido e que além de tudo é musical, indo jantar em restaurantes caros, comendo camarão e aprendendo a apreciar vinho. 

E apesar de ter conquistado diversos sonhos, sinto-me vazia ainda. Não conheci ainda o meu Barack. 

Sei o quanto é tolo e anti feminista dizer que gostaria de achar minha alma gêmea para me sentir completa. Mas essa é a verdade nua e crua. Eu só namorei 1x na vida. Eu passei grande parte da minha vida solteira e sou muito bem resolvida comigo mesma. Deixe-me até refazer minha frase. Não preciso de alguém que me complete, mas adoraria ter alguém com quem compartilhar minhas tolices, medos e sonhos. 

Às vezes perco um pouco da esperança, para ser sincera. Como se conhecer um homem como Barack que se apaixonaria por mim pelo que sou fosse muito difícil - quem sabe até impossível. Eu já li diversos textos e livros que falam para não deixar de acreditar no amor. Que tudo tem o seu tempo. Por um lado eu acredito que um dia minha hora vai chegar, mas para ser sincera a voz que prevalece é a que ninguém nunca será capaz de me amar como sou. Como assim?!

Pois é, Michelle. No seu livro eu me sinto muito igual a você. Temos nossas diferenças de vida, é claro. Você é negra. Eu morei na China. Mas a nossa essência é a mesma. Você é centrada, ambiciosa e determinada. Séria. Extrovertida e adora um happy hour. 

Se fosse basear minha história na sua eu não teria dúvida de que um dia conheceria o meu grandioso Barack. Mas quando você menciona que no momento em que o conheceu havia desistido de namorar para focar em sua carreira a realidade me deu um soco na cara. 

Todos dizem "o amor bate na porta de quem não o está procurando". Eu mesma passei por uma situação similar no meu primeiro, e único, namoro. Ou seja, claramente a frase possuí a sua validade. 

Mas como posso, eu, "desistir" do amor quando sou uma mulher determinada e bem resolvida, que sabe o que quer, e já coloquei essa ideia de namoro - com a pessoa certa - na minha cabeça?

Estou aqui. Pronta. Para viver um romance maduro de longo prazo. E onde está o meu Barack?

Oh, Michelle, o que eu não daria para poder tomar uma taça de vinho com você e conversar sobre a vida. É uma pena que nossa interação esteja limitada às palavras do seu livro. Portanto sigo firme lendo com cautela cada palavra para absorver o máximo de conteúdo possível.

Com amor, 

Paulinha 

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