Eu estou triste.
É muito difícil saber que você não está no lugar certo. Ter ciência disso dói mais do que a ignorância.
Não acho que é normal sentir tanta raiva do trabalho. Fico incomodada com o quanto coisas banais do dia a dia me atingem. Fico irada, perco o fôlego, tenho vontade de socar a parede e de repente encho os olhos d'agua e só quero chorar. Porque eu tenho tanto medo de seguir os meus sonhos e ir atrás das coisas que eu sou boa?
Eu entrei na faculdade de administração porque queria trabalhar com marketing. Antes disso eu sonhava em ser diretora de cinema.
Hoje eu trabalho com números. Passo o dia olhando o excel, entendendo desvio de venda, montando gráficos e correndo atrás de pessoas para explicarem o porquê daqueles números estarem como estão. Eu começo a minha rotina sempre às 9h30, sempre sem horário para terminar.
Não importa quantas coisas eu faça por dia, a sensação é de que eu não sou boa o bastante, não entrego o bastante, não consigo fazer o bastante.
Hoje mesmo, comecei o dia atualizando gráficos. Coisa rotineira... me senti tão bem "dominando" o assunto, afinal 1 mês apanhando, uma hora tinha que rolar...
Tudo para no final do dia, agora, às 18h54 entrar em uma reunião e ser esculachada porque os números não batem. Mas ninguém consegue me falar o porquê de não baterem. Explicar qual o número esperado e aonde é que está o erro. Afinal, eu puxei da base... e a não ser que eu esteja maluca ou seja uma completa incompetente... não tem porquê o número estar errado.
Mas é foda. Eu não sou boa. Então nessas horas a última coisa que passa pela minha cabeça é que estou certa. Já fico nervosa, envergonhada, já me chicoteio nas costas. Já começo a pensar em tudo que as pessoas devem pensar e falar de mim pelas costas... não são coisas agradáveis de se ouvir.
Porque eu estou nesse trabalho?
Eu sinto que nos últimos 3 anos fiz 3 coisas diferentes, e no fundo não amei nenhuma. Tenho medo de mudar agora e parecer que não persisto em nada. Eu sou persistente. Sou resiliente. Eu sei muito bem que tenho essas qualidades - já exerci elas no passado. E acho que até por isso mesmo que apesar de não ser feliz no meu trabalho e de não gostar do que eu faço que eu ainda não saí.
Mas eu estou começando a duvidar de mim mesma e das minhas escolhas. Até que ponto eu agi corretamente vindo para esse cargo? Tenho MUITO a aprender aqui, isso é fato! Mas será que é necessário?
Será que eu não seria melhor e mais feliz trabalhando com algo que se encaixa comigo? Penso em trabalhar com algo que me dá orgulho! Imagine só acordar feliz e animada para o trabalho?
Hoje eu me sinto um burro recebendo aqueles coices de caubóis na cintura para andar pra frente. Estou um burro capenga, sangrento já, com fome, sede, cansado... mas continuo lá e quem está em cima de mim? Quem é esse caubói malvado que me obriga a continuar? Vejo que sou eu mesma.
A vontade é de parar. De dizer chega. De recomeçar. De me buscar. De procurar o que mexe comigo. Do que eu quero. Eu sei que terei o retorno monetário e de crescimento com o que for que eu faça. Mas o medo é tão grande...e eu nem sei do que eu tenho medo ao certo.
Eu gosto da minha vida em São Paulo. Do meu apartamento, das minhas amizades... não é a cidade que eu ficaria para o resto da minha vida, mas gostaria de permanecer aqui. Não quero abrir mão disso para buscar a minha felicidade e realização profissional.
Até que ponto o certo é continuar aqui, passar por essa etapa, aprender com isso e sair melhor? E até que ponto eu só deveria me retirar de um ambiente tão hostil para a minha autoestima e sanidade mental?
Criticam a minha geração por ser tão fluída e desapegada, mas até que ponto esse apego com o trabalho, igual das gerações anteriores é o saudável?
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Eu já estava com dificuldade para me motivar hoje. Depois desse esculacho no fim do dia eu não quero fazer mais nada. Queria falar com a minha psicóloga. Queria ganhar um abraço. Queria sair da empresa.
Eu estou triste.
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