Agora eu olho para a minha vida.
Com tudo isso que vêm acontecendo eu decidi puxar algumas falas sistêmicas para entender a situação da Alimenty+, a situação com a minha sócia e como eu me sinto e como eu fico em meio a tudo isso.
Então sem muito conhecimento, mas imitando as vezes que vi minha mãe fazer comigo me preparei e puxei 3 cartas, 3 falas sistêmicas e analisei.
- Eu me rendo.
- Obrigado por ter me acolhido.
- Agora eu olho para a minha vida.
Eu tinha achado que a primeira era o que a situação falava para mim. No caso eu imaginei a situação sendo a Alimenty+, nossa empresa. Que a segunda carta era o que eu dizia para ela. A terceira um "próximo passo", um "e agora?".
Achei que as falas faziam sentido. A Alimeny+ se rendendo à visão diferente das 2 sóciass. Eu agradecendo por ter sido acolhida pela Alimenty+ num momento em que eu estava tão perdida e sem rumo, apenas com o sonho de empreender.
Mas aí decidi ler o manual das falas sistêmicas e então percebi que, apesar de até fazer sentido a minha leitura das cartas, na verdade eu li da forma errada e lendo da forma correta fez ainda mais sentido.
- A fala de cura que eu digo para a pessoa/situação.
- A fala de cura que a pessoa/situação diz para mim.
- Não tinha no manual então eu segui olhando como sendo o próximo passo.
Realmente. Acho que fui eu quem me rendi. Eu me rendi à minha sócia e a visão dela. Na verdade a pessoa/situação que eu estou analisando não é nem tanto a Alimenty+, porque de fato não é uma instituição tangível. A Alimenty+ é apenas a personificação da minha sociedade com a Natalia.
Quando analiso a situação, na verdade estou analisando a minha sociedade com a Nat. E a fala sistêmica que saiu foi "eu me rendo". Eu olho para a nossa sociedade, para a Nat, e digo "eu me rendo".
Engraçado que essa fala é tão forte que até explicaram ela com mais profundeza dentro do manual das falas. Segue:
"Quando eu me entrego ao que é, ao fluir da vida, e do que se apresenta, eu não faço mais questão que as coisas sejam como 'eu quero', 'porque quero'... paro de "lutar" com a vida, com os obstáculos que se apresentam (porque justamente as vezes esses obstáculos querem me mostrar algo, que talvez, aquele caminho não seja o melhor; não significa desistir, significa seguir as sutilezas que o Universo vai criando para me levar à minha missão, ao maior, ao verdadeiro servir à vida.
Então eu vejo que ao me "render" à sociedade, à Alimenty+, à Nat, na verdade eu estou dizendo. Okay. Não é para sermos nada além do que somos hoje? Okay. Entendo. Respeito. Não vou ficar batalhando para levar a Alimenty+ para o próximo nível, pois ela não nasceu para esse propósito e está tudo bem. Também significa que não vou ficar triste ou ressentida com isso.
Pelo contrário, acho que a segunda fala que é o que a pessoa/situação fala para mim "Obrigado por ter me acolhido" diz de fato até mesmo o que a Nat me falou. Ela queria trabalhar com rotulagem. Ela queria atender clientes de rotulagem. Eu ajudei ela a atingir esse objetivo. Hoje ela é a empresa mais perto de ser "referência" em rotulagem que existe no Brasil. Com apenas 8 meses de vida já são quase 10 clientes atendidos e +700 rótulos feitos. "Obrigado por ter me acolhido, acolhido a minha ideia, acolhido os meus talentos." Vejo que essa fala vem repleta de gratidão. Uma gratidão sincera, abundante. Quando a Nat tiver filhos, sair do CLT, ela já vai ter uma empresa estruturada e rodando para acolher ela.
Mas com isso voltam aqueles questionamentos. E agora?? E eu?? Como EU fico no meio disso tudo?
Lembro bem que meu sogro me perguntou quando eu cheguei com essa ideia para ele. "Mas é isso que você gosta de fazer?".
Eu não esqueço esse dia. Porque a verdade é que eu estava desesperada para encontrar algum nicho para me especializar e empreender. Sinceramente eu até comecei a gostar muito do que fazemos e até conseguiria levar mais para frente caso a Nat estivesse em sintonia comigo para crescermos a empresa.
Eu sempre disse que queria o meu império, queria construir algo grande.
Então a última carta me impactou, porque ela diz muito claramente "Agora eu olho para a minha vida". Eu gosto de ter uma sócia. É legal ter alguém com quem bater as ideias e colaborar. No entanto eu ainda presto contas. E eu sinto por vezes que faço 80% do trabalho ou mais e fico com apenas 20-30% da imagem de que a empresa é minha. Então a real é que a Alimenty+ do jeito que é hoje e do jeito que continuará sendo dado o posicionamento da Nat não me representa.
No manual das falas sistêmicas também há uma explicação detalhada para essa fala.Segue:
"Quando, por amor cego, um filho segue um pai/mãe em seu destino difícil, por exemplo, e agora percebe isto, pode fazer o movimento de encerrar isto e passar a cuidar de sua própria vida e de seu próprio destino. Isto também vale para outros relacionamentos, onde eu "quero carregar e fazer pelo outro", se eu permito que o outro cuide de seu destino, eu devolvo sua própria força e capacidade de fazer isto sozinho. Ao mesmo tempo, eu também me sinto fortalecido para cuidar de minhas próprias "tarefas".
Ou seja, tanto eu quanto a Nat nunca havíamos empreendido antes na vida. Ambos tínhamos vontade, mas desconhecíamos e tínhamos medo. A criação da Alimenty+ foi muito importante para entendermos o caminho inicial das pedras, da rotina, da vida de empreendedor.
Mas ao mesmo tempo, queremos coisas diferentes. Então não podemos mais ficar nos apoiando uma na outra. A Nat com medo de fazer comercial, com medo de fechar clientes e eu com medo de não ter um nicho, com medo de não ter uma ideia de negócio.
Chegou a hora de partirmos nossos caminhos individuais.
Não significa que a Alimenty+ vai deixar de existir amanhã. Afinal, criamos algo bacana e que tem um futuro promissor e vamos seguir tocando.
Mas pelo menos não precisamos mais perder tempo discutindo o futuro, porque já está definido. Eventualmente eu posso ou vender a Alimenty+ para a Nat ou simplesmente ser uma sócia distante.
E agora eu volto para o começo. Mas não para a estaca zero. Pois agora eu já sou empreendedora. Já sei um básico de como as coisas funcionam. Então agora eu vou buscar ter clareza em qual é o empreendimento dos meus sonhos. O meu propósito, o meu porquê.
Ainda não tenho ao certo meu próximo passo, mas quero voltar a analisar as opções. Possivelmente retomar meus estudos e fazer uma MBA no exterior onde possivelmente eu possa elaborar minha ideia de negócio... enfim, a questão é que agora eu tenho a CLAREZA de que preciso buscar a minha CLAREZA.
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