Me peguei novamente duvidando de mim mesma.

 Já vou começar compartilhando que eu estou de TPM e menstruada e geralmente quando estou assim eu duvido mais de mim mesma e tenho mais sensibilidade para pensamentos intrusivos. Então, importante ressaltar que apesar de tudo eu tenho plena ciência que o sentimento está inflado. 

E de qual sentimento eu me refiro? Pois bem, novamente estou aqui me sentindo incapaz. Muitas coisas aconteceram nos últimos dias e meus planos mudaram muito abruptamente. Mas ao mesmo tempo no fundo no fundo eles nunca mudaram abruptamente, eu apenas assumi o que eu já sentia. 

Eu desisti de aplicar para o MBA este ano, primeiro porque não estou com cabeça para estudar para a prova, segundo porque não enxergava um cenário onde fosse possível ir para Barcelona no ano que vem.

Depois dessa tomada de decisão veio a próxima que foi a de montar uma estratégia para conseguir atender projetos de maior porte em 2026 com a Concellera. Entendi que sozinha eu não seria capaz de entrar nesse mercado que precisava de expertise e portanto resolvi trazer alguém que eu conheço como uma das pessoas mais inteligentes e de confiança: meu pai. 

Há 3 semanas eu propus a ele iniciarmos uma frente trabalhando juntos. Há 2 semanas ele me propôs uma frente para trabalharmos e hoje apresentamos em um soft launch, ou test drive, o que seria esse patamar. 

Não deu pra testar muita coisa, até porque eu mesma não sei para quem estamos vendendo. Mas está tudo bem, porque foi um momento importante onde pude tirar fotos, fazer vídeos, colocar a equipe para se conhecer pessoalmente e começar a mexer uns pauzinhos para o que entendemos que seria uma abordagem comercial relevante. 

É claro, em apenas 3 semanas saindo do completo NADA para estruturar um produto/serviço não é algo simples. Hoje conversando com o meu pai eu me deparei em quão difícil é o tema, mas esse é o propósito! Difícil = mais dinheiro! E é o que eu quero. 

Enfim, acho que acabei me sentindo mal por conta do evento ter sido muito parado, não pude evitar os pensamentos intrusos de que estava desperdiçando o tempo de todos, de que para quem olhasse para mim eu devesse parecer uma piada, de que por mais que eu esteja batalhando para ser alguém e construir algo estivesse com aquela sensação amarga na boca do mais completo fracasso. 

Sim, palavras muito pesadas para uma tarde que não foi tão ruim assim. 

Primeiramente que pude passar o dia sentada ao lado do meu pai, pude almoçar com ele, voltamos para casa as 16h e curtimos o entardecer tomando uma cerveja. Puxa, por mim, só isso já fez valer o dia. Quanta saudade eu tenho de conviver com os meus familiares!

Segundamente que ao estarmos fisicamente próximos ali eu pude conversar com ele sobre algumas ideias e frentes, pude alinhar os próximos passos que envolve estudar profundamente esse tema. Obviamente que eu preciso estudar, ninguém é ninguém sem estudar. 

O Paulinho, marido da Bia Napolitano, conheceu a Bia com 31 anos, na época ambos trabalhavam em um escritório de advocacia. Com 31 anos ele trabalhava para os outros e nunca parou de estudar. Hoje ele tem o próprio escritório, é uma pessoa referência no Brasil na área dele, escreveu livros e enfim é uma pessoa com uma carreira sólida e de impacto. Mas com 31 anos ninguém o conhecia, com 31 anos ele era apenas um advogado qualquer, em um escritório qualquer. 

Problema na área de administração é que ninguém quer estudar, porque todo mundo acha que ler uns livros escritos por amadores é suficiente para gerir um negócio. E eu mesma demorei 4 anos depois de formada para fazer uma pós graduação e depois disso? Não estudei mais!

Então entendo que tenho um problema principal: eu sou uma sonhadora. Eu consigo enxergar lá na frente como as coisas se conectam e fazem sentido. Só que por outro lado eu enxergo muito longe. E quando retorno para a realidade, o gap é muito grande. Sendo o gap muito grande fica muito difícil de conectar a realidade de hoje, na realidade de amanhã. E um passo de cada vez parece o fim da picada. 

Entendo que o que eu senti hoje foi: não sou ninguém. Não conheço NADA! O mundo é esse lugar maluco e vasto com inúmeras direções para se olhar. Por vezes sinto que não vou dar conta, afinal eu tenho uma frente do meu cérebro olhando e aprendendo sobre restauração florestal, outra sobre carbono, outra sobre plano de saúde, outra sobre afastamentos e saúde ocupacional, outra sobre rotulagem nutricional e agora mais uma nova outra voltada para leis de incentivo, reforma tributária e projetos de PD&I. Como dar conta de tanta informação?

E aí olho para 2026 e penso: o que eu devo estudar? Por onde começar? Até que ponto eu deveria me aprofundar ou simplesmente confiar nessas pessoas que são os meus pilares técnicos para que eu possa executar um trabalho mais de negócios? O que é o trabalho de negócios? E o que eu preciso aprender sobre negócios? Porque essa é outra frente que eu nada sei... 

A estratégia comercial que eu utilizava em 2018 não funciona mais hoje. E o que funciona? Eu não tenho ideia! E sinceramente acho que ninguém tem. A não ser esses perfis de influenciadores que utilizam gatilhos mentais para gerar falsas demandas e vender cursos. Mas como as empresas de hoje vendem? Como se destacar no meio da multidão sem ter que gastar rios de dinheiro?

E foi nesse turbilhão de pensamentos que eu me peguei novamente duvidando de mim mesma. 

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